sexta-feira, maio 26, 2017

É muito conveniente da nossa parte

que os legalistas geralmente sejam os outros. Mas já nos olhámos ao espelho? O podcast desta semana trata deste assunto.

Generally it's other people who get to be the legalists. What about you?

quinta-feira, maio 25, 2017

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Brasil, liga aí a Alice no País das Maravilhas ao profeta Jonas!

quarta-feira, maio 24, 2017

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Uma criança que mama é mais convincente a provar que Deus existe e que encheu o mundo de beleza do que os argumentos sofisticados dos ateus.

O sermão de Domingo passado, chamado "A Luta dos Lactentes", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, maio 19, 2017

Os Lisbon Pirates não resistem e falam sobre o Salvador

(Esse mesmo!)

Brasil!

Está ligado!

terça-feira, maio 16, 2017

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O sermão de Domingo passado, chamado "Beijoqueiro para glória de Jesus", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, maio 11, 2017

Os piratas buscam alguma sanidade

Os evangélicos em Portugal gravitam entre o anti-catolicismo primário e o apoio aos peregrinos a caminho de Fátima. O podcast desta semana verifica se ainda nos resta algum juízo na cabeça (e fé no coração).

In Portugal, evangelicals go from anti-catholicism to helping pilgrims on their way to Fatima. This week's podcast looks for some sanity in our heads (and faith in our hearts).

quarta-feira, maio 10, 2017

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Na Igreja da Lapa somos cristãos que oram demasiado pouco. Para isso também contribui a imaturidade de só sabermos dizer a Deus aquilo que sentimos - somos escravos da nossa própria espontaneidade (que não nos tem levado longe na nossa vida de oração). Queremos mais do que isto.

O sermão de Domingo passado, chamado "Escravo da Espontaneidade", pode ser ouvido aqui.

terça-feira, maio 09, 2017

Calvino esmaga o crânio de C. S. Lewis mas graças à ressurreição tudo acaba bem

Acabo de ler um capítulo das Institutas sobre a ressurreição que é muito bom. Tendo em conta que ainda ontem lia o C.S. Lewis comentar os Salmos e criticar que a crença na vida eterna servisse de base para a fé, não deixa de ser estimulante chegar ao Calvino e encontrá-lo a assumir de frente essa mesma tese. E, com toda a consideração pelas partes justas da crítica de Lewis, Calvino ganha. Calvino volta a afirmar aquilo que, no fundo, já Paulo tinha dito quando estabelecia que se não há ressurreição, somos os mais miseráveis de todos (1 Coríntios 15:13-17). Por impopular que seja hoje afirmar de um modo tão simples a crença na ressurreição, ela é o terreno firme da nossa esperança.

E aqui aproveito para fazer um à parte, para criticar a crítica de Lewis. Lewis deseja o melhor quando quer fundamentar no desejo pela presença de Deus a base do cristianismo, e assim espantar para longe uma fé que seja essencialmente uma questão de gerir consequências. Lewis quer que o nosso cristianismo seja efectivamente mais o nosso desejo de Deus do que o nosso desprazer pelo Inferno. E creio que esta crítica tem méritos, sem dúvida. O problema é que nesta crítica de Lewis pode crescer uma espécie de vaidade escondida. Como assim?

Se eu vou para o Céu não tanto porque tive medo de ir parar ao Inferno mas sobretudo porque desejei a presença de Deus, até que ponto é que não continuo na lógica retributiva? Afinal, neste esquema posso continuar a merecer o Céu por uma questão de recompensa, recompensa essa que premeia um desejo que internamente sinto - de estar perto de Deus. A questão é que acabamos com outro problema: que salvação existe então para quem não quer estar perto de Deus? Pior ainda: podemos acabar numa lógica mais perversa em que o Céu é o lugar dos que essencialmente são melhores, porque desejam a presença de Deus, e o Inferno é dos que são piores, que não a desejam. C. S. Lewis, ao querer criticar justamente a dureza do coração daqueles que desejam o Céu de uma maneira quase indiferente à presença de Deus, pode redundar numa dureza pior que é separar as pessoas entre aquelas que têm um desejo muito correcto de estarem perto de Deus e as outras. Num certo sentido, continuamos com uma lógica de mérito, em que para o Céu vão os bons e para o Inferno os maus.

Creio que nas Escrituras as coisas podem ser abençoadamente um pouco mais complexas (para serem mais simples no fim). Quando lemos a Bíblia, vemos o Céu e o Inferno como lugares que, de certa maneira, já escolhemos aqui, mas também os encontramos como lugares que não escolhemos aqui. Vou tentar explicar. Acho que não é irrazoável aceitar a ideia de Lewis, de o Inferno ser um lugar em que a porta está trancada por dentro (por quem lá está e lá quer continuar, decididamente longe da presença de Deus). Até porque vários textos bíblicos (como Romanos 1) nos lembram que não há nada pior do que Deus abandonar-nos às coisas que desejamos. Mas também podemos ver o Céu e o Inferno como os lugares que não escolhemos. E é neste segundo sentido que a graça de Deus serve melhor de desempate para ver quem vai para onde.

Uma das coisas realmente escandalosas na mensagem do cristianismo é que ela vai além do “fizeste isto, mereces aquilo”. E o problema é que na ideia de que o Inferno é escolhido aqui, permanecemos essencialmente no terreno do “cá se fazem, lá se pagam”, quase rasando uma versão cristianizada do karma. A questão é que o cristianismo é cristianismo precisamente porque troca as nossas voltas e mete gente ruim no Céu e gente boa no Inferno - novamente nos surpreendemos com o sentido de humor divino. E a graça pode ser graça, um elemento muito mais irrequieto do que os nossos méritos, porque pessoas que nunca desejaram a presença de Deus podem chegar ao ponto de passar a eternidade com ele. E é aqui que quero criticar o meu herói C. S. Lewis.

Eu amo o C. S. Lewis. Na prática, a minha vida é tentar ser como ele. O meu sonho é escrever aquilo que mais próximo chegue das “Screwtape Letters”, o meu ideal de perfeição literária. Mas o Lewis, que facilmente alveja o farisaísmo de tantos cristãos, cai frequentemente noutro. Qual é o farisaísmo do Lewis? O Lewis maneja habilmente os textos bíblicos, com um olho atentíssimo para aquilo que neles é fantástico (e o “Reflections on the Psalms” que estou a ler é extraordinário) mas acaba a confiar demasiado na sua própria cabeça. O grande problema do C. S. Lewis é que lê a Bíblia demasiado a partir da cabeça do C.S. Lewis. E ler a Bíblia a sério é procurar lê-la com a cabeça dela. Certamente que não é fácil. Mas o bom cristão lê a Palavra tentando entendê-la a partir dela mesma, e não a partir dele mesmo.

Vou tentar ilustrar. Neste caso, em que o Lewis critica justamente que se queira ir para o Céu essencialmente por medo do Inferno, paira sempre a ideia de que ele, o bom do Lewis!, é diferente e neste caso deseja a eternidade porque é desinteressado das consequências e unha com carne com Deus. Isto é ainda mais irritante do que querer ir para o Céu por ter medo do Inferno - sim, querer ir para o Céu porque se está apaixonadíssimo por Deus pode ser mais insuportável do que querer ir para lá por medo do Inferno (e daí a minha falta de paciência com místicos). É que, ao menos, a pessoa que quer ir para o Céu por medo do Inferno assume que é pecadora ao ponto de pensar no seu interesse próprio. Já o C. S Lewis pode passar a ideia de que a sua estadia no Céu é completamente justificado tendo em conta o amor desinteressado que sente por Deus. O Lewis é um pecador menos pecador e por isso ir para o Céu é mais justificável. Mas, assim, o Lewis fica longe de uma das coisas mais bonitas do cristianismo que é o Céu poder abrir-se a pecadores tão horríveis que viveram ao ponto de nunca terem desejado Deus. Quando é que o amor de Deus tem de ser mais esticado? Quando ama aqueles que já o amam naturalmente? Não (Jesus disse no sermão do monte que amar assim até os publicanos amavam, o que não é grande espingarda). O amor de Deus tem de ser mais esticado quando tem de ir ao ponto de amar pessoas que são tão ruins que só pensam na sua própria sobrevivência. Ter medo de ir parar ao Inferno torna-se uma excelente razão para ser alcançado pelo perdão de Deus.

Por que me inflamo tanto com estas questões? Por que sou tão obcecado a falar sobre Céu e Inferno? Caramba, é o segundo dia seguido a publicar textos sobre o assunto. Sou obcecado a falar sobre o Céu e o Inferno porque, ao contrário da imagem que a cultura que me cerca projecta acerca de si, eu não sou uma pessoa inclinada para ter bons sentimentos nem para fazer boas acções - eu não sou material de Paraíso. Este que vos escreve, marido de mulher, pai de filhos, pastor de igreja, escritor de livros, músico de discos, projecto de intelectual e revolucionário cultural em progresso, é no seu coração das criaturas mais desprezíveis que podem conhecer. O bem não me está na massa do sangue. Eu não sou o C. S. Lewis, desejante natural da presença de Deus (pelo menos não na maneira como me parece que esse desejo é descrito). O meu cristianismo não é desinteressado, focado fundamentalmente no amor que sinto por Jesus. É verdade que amo Jesus. Mas amo Jesus no meio de sentimentos e acções feias e, se não for a certeza da ressurreição, o bem que vivo nesta vida não chega para salvá-la.

Entendam isto: apesar do amor que já sinto por Jesus (porque o Espírito Santo já está em mim pela fé), esse amor daqui desta vida terrena não chega para me fazer viver para sempre. O que me vai fazer viver para sempre é o facto de Jesus já ter ressuscitado e de, nessa ressurreição dele, me garantir que ficarei a amá-lo para sempre na eternidade. O que me salva não é o amor com que respondo ao amor de Jesus; o que me salva é que, por causa do amor de Jesus, posso amá-lo de volta no poder do amor dele, não do meu. E é aqui que Calvino vê mais longe que o C.S. Lewis (apesar de eles nunca terem tido esta discussão, mas na minha cabeça ela faz sentido). Ou esperamos pela ressurreição que nos leva à vida eterna ou somos as piores pessoas de todas porque estamos satisfeitos nas qualidades que já temos agora. E para mim existem poucas arrogâncias piores do que a auto-satisfação. Reparem no paradoxo: ser um cristão completamente satisfeito aqui pode ser a maneira de ser o mais cagão dos pecadores (perdoem-me o português, mas acho que se justifica). E essa é uma coisa que cada vez me cheira pior, a abundância de cristãos satisfeitos com a sua fé iluminada (sejam católicos progressistas ou evangélicos armados em intelectuais, satisfeitinhos em terem uma fé mais inquieta e curiosa do que os outros, os evangélicos supostamente básicos).

Calvino sabia que que viver neste corpo ainda continua a ser uma prisão, não no sentido em que o corpo é mau em si mas no sentido em que ele impede a nossa união perfeita com Cristo (e por isso a Palavra diz que a nossa vida mais real está escondida em Cristo). Logo, é natural que o cristão seja necessariamente obcecado pelo Céu. O cristão que é obcecado pelo Céu não o é porque se acha melhor que os outros; o cristão que é obcecado pelo Céu é assim porque está farto de tudo o que dentro dele é mau. Hoje os cristãos obcecados pelo Céu recebem muita má imprensa quando, na verdade, são pessoas muito mais humildes do que aqueles que os criticam (que só estão a pensar na boa imprensa que é ser um cristão higienicamente não-obcecado pelo Céu e refastelados no conforto que sentem nesta vida). Por que não encontramos os católicos progressistas e os evangélicos armados em intelectuais a falarem de assuntos tão primitivos como a ressurreição e o Céu? Basicamente, porque se encontram satisfeitos com a popularidade que adquirem graças à sua fé mais esclarecida.

Por outro lado, desejar o Céu também é entender que não é só a nossa vida que convém resgatar, mas todo o Cosmos. Na verdade o Céu é os Novos Céus e a Nova Terra, a Nova Jerusalém. A realidade eterna é a da renovação de todas as coisas espirituais e físicas. Ao contrário do que se costuma dizer, os cristãos que desejam o Céu não o fazem por desprezar este mundo, mas por amarem-no ao ponto de quererem vê-lo em perfeição, completamente restaurado na eternidade.

Calvino sabia que era difícil acreditar na ressurreição do corpo, sendo este assunto um saco de pancada dos filósofos de todos os tempos que, naquele amedrontamento típico da filosofia, escolhiam selectivamente apenas a imortalidade da alma. No entanto, há dois terrenos bem firmes para acreditar nela.

Em primeiro lugar, é firme acreditar na ressurreição pelo facto de Jesus já ter ressuscitado. Os cristãos não acreditam na ressurreição a pensar neles, mas a pensar em Cristo. Cristo prometeu que ia ficar para sempre connosco. Surpresa das surpresas, depois de ter dito isto não é que morreu?! Mas, surpresa ainda maior!, não é que ressuscitou a seguir? Logo, e se partirmos do princípio que um milagre destes pode acontecer (princípio de onde eu parto), a um tipo que me prometeu uma coisa antes de morrer mas que, a seguir, ressuscitou, dou um enorme benefício da dúvida. Ou seja, se Cristo é uma pessoa que chega ao ponto de ser mais competente que a morte, vencendo-a, provavelmente é pessoa para honrar as promessas que faz. Se Cristo ressuscitou, é estúpido não acreditar no que ele disse. E se ele disse que ia ficar para sempre connosco, é porque vai mesmo. A ressurreição é a base da nossa esperança.

Tendo ainda em conta que a Igreja é o corpo de Cristo, no qual ele é a cabeça, não confiar na ressurreição é achar que a Igreja é como aqueles instantes em que o gato do País das Maravilhas ficava só em cabeça, sem corpo. A Igreja não é o Gato do País das Maravilhas, minha gente! E Calvino lembra ainda o detalhe de Jesus, depois de ter ressuscitado, não ter vindo exibir-se a Pilatos ou ao Sinédrio em jeito de “pessoal, engulam lá esta! Olhem para mim vivinho da silva!”. Não. Jesus foi mostrar-se às mulheres primeiro e aos discípulos depois para provar que o ponto mais importante da ressurreição não é o poder (é óbvio que Deus tem poder para ressuscitar, se ele teve o poder para criar o universo a partir do nada), mas o amor aos que lhe pertencem. Em segundo lugar, e é neste lugar do poder de Deus que reside a nossa confiança na ressurreição.

Este foi um texto sinuoso mas saiu-me da alegria de acreditar na ressurreição ainda com mais intensidade do que amo o C.S. Lewis. Clive, não te aborreças. Mas olha que o Calvino ainda via mais longe do que tu.



segunda-feira, maio 08, 2017

Maneira peculiar de mostrar amor

Ao ouvir o Pr. John Piper pregar sobre Gálatas 1 (na conferência da Gospel Coalition de 2017), fiquei com um pensamento acerca da preponderância da palavra sobre a igreja, no fundamento da autoridade cristã. O Piper falava em particular sobre o verso 8, que diz: "Mas ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que temos pregado, seja anátema". A lógica do texto é que em caso de impasse, diante de dois ensinos diferentes, o que deve prevalecer é o evangelho. Paulo estava a reconhecer uma possibilidade, ainda que remota, de que os cristãos da Galácia poderiam estar numa posição em que vinha Paulo ou um anjo pregar uma coisa diferente daquela que os tinha alcançado originalmente. Ou seja, Paulo está a dar aos Gálatas a consciência de que não deve ser estranho para um cristão deparar-se com conflitos entre pregações. E o que deve desempatar esses conflitos? Não as pessoas mas a palavra.

No esquema católico romano o que desempata é a pessoa e não a palavra. Como a palavra é tida como dependente da pessoa, da correcta interpretação dos pastores da Igreja, cabe à pessoa dizer o que a palavra diz. Muito resumidamente, a Igreja Católica Romana, que se crê continuação de Pedro, espera que seja Pedro a ter o direito de resolver os problemas. A questão é que Paulo estabelece aqui na palavra um princípio diferente (e não deixa de ser revelador que o próprio Pedro mereça a sua censura já no capítulo seguinte, em Gálatas 2). Ainda que viesse a própria pessoa que lhes tinha pregado o evangelho a primeira vez - neste caso, o próprio Paulo!, e viesse com todos os méritos vindos do facto especial de eles se terem convertido graças à sua pregação - se essa mesma pessoa lhes pregasse uma coisa diferente, os Gálatas deveriam dar-lhe um chuto no traseiro.

Chuto no traseiro é um eufemismo. Na realidade, a expressão "seja anátema" quer dizer amaldiçoar. Portanto, a pessoa, que podia ser a pessoa mais especial do mundo pelo facto de ter sido quem pregou o evangelho, deveria ser mandada para o Inferno pelas próprias pessoas que se tinham convertido pela pregação dessa pessoa, por estar agora a pregar uma coisa diferente (e vale a pena ver o modo como o Piper prega isto!). Sigam a lógica: eu converti-me por causa da pregação do Chico. É natural que o Chico seja mesmo especial para mim. Mas se o Chico vier-me pregar uma coisa diferente agora, por muito que eu o ame, o que eu devo fazer é mandá-lo para o Inferno. Chico, vai para o Diabo que te carregue!

É por isso que, com toda a estima que possa ter com o catolicismo, permanece sobre ele um problema grave. O catolicismo não tem como obedecer a esta lógica de Paulo na Carta aos Gálatas. O catolicismo, porque crê que a autoridade da palavra depende de a Igreja assim a reconhecer, torna a pessoa que guarda a palavra o desempate em caso de choque de palavras. O catolicismo, que crê que a autoridade da palavra depende da Igreja, coloca a Igreja a desempatar os choques da palavra. Mas, segundo Paulo, só a palavra pode desempatar os choques da palavra. Neste texto, o próprio Paulo, como autoridade incontornável da Igreja no seu apostolado, bem que podia ir lixar-se caso quisesse ser ele, com uma nova pregação, a dizer aos Gálatas o que eles tinham de fazer. Os cristãos não são chamados a ir atrás de pessoas (nem de anjos!) mas da palavra.

O catolicismo é essencialmente uma Igreja que permite uma primeira versão de Paulo a pregar A, uma segunda versão de Paulo a pregar B, uma terceira versão de Paulo a pregar C, e por aí em diante. O catolicismo permite que os evangelhos possam ser diferentes desde que sejam pregados pela mesma Igreja. O catolicismo é uma religião mais progressista, moderna e mais "para a frente" do que o protestantismo precisamente porque as pessoas são uma figura de autoridade superior à palavra. O protestantismo é uma coisa parada no tempo, retrógrada, anacrónica, a mandar eventualmente todos os bispos e pastores para o Inferno, precisamente porque leva à letra o que Paulo aqui diz. Ou seja, o protestantismo leva a palavra à letra onde o catolicismo leva a pessoa à letra. Os católicos podem ter hoje uma religião muito mais agradável porque, levando a pessoa à letra (neste caso, a autoridade da Igreja reconhecida no Papa), todos podem ser colocados dentro do céu (mesmo quando há 100 anos não era bem a mesma coisa). O protestantismo pode ser uma religião muito mais desagradável porque, levando a palavra à letra (neste caso, autoridade da Bíblia), todos podem ser colocados no Inferno, até o próprio Apóstolo Paulo, se pregar uma coisa diferente do evangelho. No catolicismo, todos podem ir para o Céu; no protestantismo até Paulo pode ir para o Inferno.

Portanto, e para terminar este pequeno espasmo em forma de texto, digo-vos: se me pregarem uma coisa diferente de Jesus Cristo, vão para o Inferno! Malditos sejam! P'ró Diabo que vos carregue! (Comecei a ler o Camilo Castelo Branco a semana passada.) Mais ainda: se eu próprio me armar em esperto e vos pregar outra coisa além de Jesus Cristo, façam o favor de me mandar para o Inferno! Maldito seja! P'ró Diabo que me carregue! Esta é a maneira peculiar como nós, protestantes, mostramos amor ao mundo.

P.S. Apesar de colocar este texto a morder o catolicismo, apetecia-me mais colocá-lo agora, uns dias depois de o ter escrito, a morder as igrejas evangélicas que miseravelmente começam a seguir a mesma lógica. Não é triste que haja igrejas a mudar de opinião por causa de iluminações progressivas nas cabeças dos seus pastores? Igrejas evangélicas em evolução à custa de iluminações místicas ou intelectuais nos pastores nem o Inferno merecem - são demasiado vaidosas na sua burrice que mais valia que se inventasse um sub-Inferno só para elas. Go and spread the love!



sexta-feira, maio 05, 2017

Três incentivos para continuarmos a gostar de cartas ou mesmo a escrevê-las

[Na terça-feira passada estive a falar sobre cartas com o Padre Alexandre Palma na bela sala dos reitores da Universidade de Lisboa - gostei muito de o conhecer. Agradeço ao João Pedro Vala o convite feito em nome da equipa organizadora.
A primeira parte da minha intervenção falava da carta que Martinho Lutero escreveu aos príncipes de todos os conselhos das cidades alemãs para manterem e criarem escolas. Poupo-vos essa parte porque ela pode ser chata não conhecendo o texto. Coloco agora apenas três incentivos para continuarmos a gostar de cartas ou mesmo a escrevê-las. São incentivos algo ingénuos mas sinceros - acredito neles.]

1. Quando se crê na palavra, toda a literatura é carta
Pessoalmente, creio que o estado actual da Universidade é o de quem quer acreditar na palavra mas se sente sem forças. Para quem, como eu, se formou nas questões da linguagem, ouviu da Faculdade que o texto é tudo o que nos resta ao mesmo tempo que não é assim tanto - é uma luta poética de não desistir da palavra ao mesmo tempo que ela já não tem assim tanto a que nos possamos agarrar com confiança. No entanto, e como cristão evangélico que sou, creio no poder absoluto da palavra. Não creio que a palavra é aquilo que os homens podem criar mas, pelo contrário, creio que os homens são a criação da palavra. Acredito que fomos mesmo feitos pela voz de Deus, e acredito que essa voz se revelou de um modo perfeito e completo em Jesus, sendo ele a palavra encarnada, e que, ao mesmo estilo, nos é dado o conhecimento de tudo isto através da palavra escrita que é a Bíblia. Sou um logocêntrico assumido porque logos é a palavra grega para “palavra”. Coloco a palavra no centro porque tudo o que existe é o resultado da sua força criativa.
Por isso não é de estranhar a importância das cartas na religião cristã. Se a palavra não for um valor relativo, tudo o que verbalmente dissermos e escrevermos uns aos outros pode ter um valor muito mais eterno do que julgamos. Afinal, sempre que lidarmos com palavras estaremos a cambiar na moeda que pagou tudo o que nos cerca. A obsessão protestante pela Bíblia vem da certeza que já estamos com uma carta em atraso na nossa correspondência com Deus. Deus já iniciou connosco uma conversa escrita que só pode ser mantida por nós na tinta da gratidão. O que respondermos de volta a Deus não é porque fomos nós quem desencantou a morada dele: foi ele que nos desencantou a nós, num gesto de pura graça. Lutero era um homem de voz alta quando dizia que não há obra que nos valha - tudo o que dura para sempre depende de Deus e não de nós. Toda a vida humana é responder a Deus.

2. A carta é mais realista
Numa época que, por defeito, se crê mais ligada, a carta assume-se desavergonhadamente como uma procura da ligação em face da adversidade. As pessoas estão longe; as pessoas estão limitadas ao papel e à tinta; as pessoas não vêem os rostos -  quando se escreve uma carta, todo o cenário é de limites. E, por muito que nos custe admitir, a nossa vida é assim também. Talvez a razão porque escrevemos poucas cartas hoje não seja tanto a facilidade tecnológica das alternativas, mas porque silenciosamente receamos que as cartas nos devolvam às criaturas limitadas que no fundo somos (até no que escrevemos àqueles que mais estimamos). Pode estar muito dito mas fica sempre muito por dizer.
Por outro lado, as cartas ficaram insuportavelmente associadas ao romantismo de há uns séculos. E sabemos de cor a conversa sobre cartas de amor, quem as não tem, e de que são todas ridículas, e bla-bla-blá. A questão é que as cartas de amor fizeram-nos esquecer que cartas também são combates. Do mesmo modo como vemos Lutero a ir ao seu limite retórico para convencer aqueles a quem quer bem a que façam o bem que devem, nas cartas que escrevemos estamos muitas vezes nas maiores trincheiras. É verdade que, neste caso, a Alemanha escolarizou-se sem exemplo igual. Mas ouviram bem o que Lutero teve de dizer para contribuir para isso?

3. O nosso fim é a fala
O telos (o propósito) do cristianismo é falante. A eternidade na Nova Jerusalém é definida também a partir do que fazemos com o verbo. No livro do Apocalipse, no capítulo 22, é-nos dito que no centro de tudo estará “o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele”. A lógica é juntar aquilo que foi revelado pela palavra (através do nome) com aquilo que agora se pode ver (face a face). Nesse sentido, podemos ir mais longe e dizer que o Apocalipse é uma correspondência escrita tornada física - cartas que pedem encontro (e não é casual que o livro do Apocalipse comece precisamente com cartas a sete igrejas). Isto não torna o que se escreve menos importante diante do que se vê, a razão triste e geralmente invocada para tornar obsoleta a escrita das cartas. Isto torna aquilo que se escreve parte do gozo naquilo que, finalmente!, se pode ver. O futuro de todas as coisas continua a depender das cartas escritas.



quinta-feira, maio 04, 2017

Being Jacinto Lucas Pires

O programa desta semana é histórico: pela 1ª vez recebemos um convidado. E que convidado! O Jacinto Lucas Pires está connosco e conversa sobre:

- apesar de ser escritor, ele também estaciona carros;
- o turismo como uma bênção que também pode ser um praga;
- apartamento do Jacinto é em África;
- procurar o mistério através da escrita.

This podcast belongs to History: for the very first time we have a guest. And what a guest! Jacinto Lucas Pires joins us and talks about:

- being a writer but also parking cars;
- tourism can be a blessing but also a curse;
- Jacinto's apartement is in Africa;
- going after mystery while writing.

Don't forget that we join for an english-speaking service every last Sunday of the month! Please come!

quarta-feira, maio 03, 2017

Ouvir

O sermão de Domingo passado, que encerra a série de mensagens sobre a Reforma Protestante, pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, abril 27, 2017

The Lisbon Pirates are back!

O segundo programa explica que:

- os americanos amam tudo e com demasiada facilidade

- os portugueses são amantes mais lentos porque querem ser mais ponderados

- o Wall-E é um filme verdadeiramente evangélico

- os americanos amam o seu país, ou devem abandoná-lo; os portugueses amam os seu país porque querem abandoná-lo,

- o Mark quase conheceu o Harrison Ford.

We talk about:

- american loving everything too easily

- portuguese people are slow lovers because they try to be careful

- Wall-E is a truly evangelical movie

- americans "lover it or leave it", portuguese love because they want to leave it

- Mark almost met Harrison Ford.

terça-feira, abril 25, 2017

Ouvir

Já podem ouvir o tal sermão que junta Jonas, a Alice do País das Maravilhas e Lutero para provar que só se adora quando antes se foi engolido pela palavra.

quinta-feira, abril 20, 2017

Marcos & James, the Lisbon Pirates

Imaginem uma conversa sobre Lisboa e Portugal em inglês. Imaginem que essa conversa é tidas por duas pessoas: um americano e um português (o Mark Bustrum e eu). O americano fala naturalmente num país que lhe é estranho. O português fala estranhamente sobre o país que lhe é natural. Isto tem tudo para dar errado mas, graças a Deus, pode dar certo em parte.

Neste primeiro episódio falamos sobre:
- piratas,
- a baixa-estima portuguesa,
- o político americano cujo nome não pronunciamos (e, já agora, também sobre Cavaco Silva),
- fé,
- fact-checkar Lisboa,
- usar a Wikipedia na preparação de sermões.

Deixem opiniões e pedidos, façam-no nos comentários do YouTube. Se Deus quiser, estaremos de volta para a semana.

quarta-feira, abril 19, 2017

Ouvir

O sermão de Domingo passado tem imagem e no final podem ver os baptismos. Uma das belezas de ser pastor é molhar-me com aqueles que coreografam a ressurreição.

quarta-feira, abril 12, 2017

A teologia como treino para o Céu

Se já não é fácil ser português, imaginem o que é ser português e evangélico. É dureza. Um dos problemas de ser português e evangélico é que à condição de ser português, e portanto ser naturalmente inclinado à murmuração, adiciona-se a murmuração suplementar de, ao ser evangélico, se murmurar por ser parte de uma minoria religiosa. O português já murmura por ser uma minoria no mundo (somos tão poucos portugueses para tanto mundo...); o português evangélico murmura ainda mais por ser uma minoria num mundo já em si minoritário (somos tão poucos evangélicos para já tão poucos portugueses...). O português evangélico é uma máquina de murmuração como poucas existem no mundo.

Esta capacidade omni-murmuratória em organismos tão simples produz reacções especialmente agrestes em circunstâncias em que um português evangélico tem de se relacionar com um evangélico de outro país que eventualmente deseje ajudá-lo. Quanto mais o português evangélico precisa de ajuda de evangélicos não-portugueses, mais delicada é a sua reacção. Quanto mais carente é o português evangélico, mais hostil se pode tornar à ajuda oferecida. É um bicho complicado, o português evangélico.

Ora, uma das áreas de maior necessidade dos portugueses evangélicos é a formação teológica. De um modo geral, se algum português evangélico deseja uma formação teológica realmente séria, tem de procurá-la fora do seu país. Isto não significa que não existem escolas teológicas em Portugal a fazer um trabalho valoroso e até heróico. Simplesmente significa que esse trabalho valoroso e até heróico que as escolas teológicas fazem em Portugal não chega para que a formação teológica dos evangélicos portugueses chegue a ser realmente séria. E este "realmente séria" aplica-se à necessidade que os evangélicos portugueses já exigem e aplica-se à necessidade que os não-evangélicos portugueses exigem dos evangélicos portugueses. Ou seja, a carência que temos de uma formação teológica realmente séria existe porque as pessoas dentro da igreja merecem-na e porque as pessoas fora da igreja também a merecem. A nossa despreparação actual desajuda quem já está na igreja e muito mais aqueles que estão fora.

Uma dos factos que tem impedido que os portugueses evangélicos sejam pessoa teologicamente sérias é a dicotomia infantil que separa fé de conhecimento. Em grande parte continuamos a ser cristãos com problemas com a ideia de que Jesus também quis salvar os nossos miolos (como se essa parte física que é o nosso cérebro fosse demasiado rasteira para merecer o amor do Salvador). Apesar de nos dizermos cristãos vindos da Reforma Protestante, continuamos na velha tradição que idealiza a ignorância como via verde da virtude. Acontece que a pobreza de espírito que Jesus elogia no sermão do monte (Mateus 5:3) não é a burrice mas a humilde. Confundir humildade com burrice é mais próprio dos burros que dos humildes, mas não quero dar demasiadas asas à minha correcta exegese bíblica, não vá uma parte dos leitores deste texto zangar-se desnecessariamente comigo. O essencial é isto: o conhecimento teológico só assusta quem, lá está!, tem medo do conhecimento teológico. O problema é que o medo de conhecer a revelação de Deus nunca foi uma maneira alternativa de estar mais perto dele. A Bíblia rejubila em todas as suas páginas diante do nosso conhecimento de Deus porque para a Bíblia o conhecimento devido é sempre um modo de comunhão. Só aceita a dicotomia quem quiser ficar nas trevas em lugares onde há luz.

Separar fé de conhecimento leva a um clima de suspeita com qualquer iniciativa que desempoeiradamente anseie uma formação teológica séria, esforçada, transpirada (daquelas que cansam mesmo na cabeça). O que tem acontecido em Portugal é que as escolas teológicas, bem intencionadas mas já influenciadas pelo clima de suspeita criado pela aceitação consciente ou inconsciente da dicotomia que separa fé de conhecimento, optam por cursos que secundarizam a teologia para oferecer em alternativa uma espécie de formação suplementar. Valendo-se da ideia de que o que é preciso é concentrar-nos na prática quotidiana do dia-a-dia das igrejas, abandona-se uma formação teológica séria para oferecer workshops avançados para professores de Escola Bíblica Dominical. Sei que exagero um pouco mas o exagero de infantilizar a formação teológica parece-me pior que o meu.

Ora, um dos projectos mais ambiciosos para o qual tenho tentado influenciar outros, além de mim próprio e da igreja local de que faço parte, é a educação teológica. A Igreja da Lapa projecta uma nova escola teológica para Lisboa. A nossa firme convicção de que Lisboa precisa de um Seminário Reformado anda de mão dada com a convicção de que, sozinhos, os lisboetas não chegam lá. A nova instituição de ensino teológico de que Portugal precisa só existirá com a ajuda de não-portugueses. Por isso, cremos que para que este sonho português se concretize será necessário muito trabalho e recursos vindos do estrangeiro. Por força da língua portuguesa, é forçoso e recomendável que muita da ajuda nos chegue do Brasil.

É aqui que, apesar de não estar dentro deste projecto de futura escola teológica da Igreja da Lapa, entra o Seminário Martin Bucer. Durante as semanas que passei recentemente no Brasil, investi tempo conhecendo o trabalho do Seminário Martin Bucer. O Seminário Martin Bucer tem uma origem europeia alemã. Se não conhecem quem foi Martin Bucer, verifiquem porque ele é uma das vozes mais inspiradoras da Reforma Protestante. O Seminário Martin Bucer tem estendido as suas asas no mundo lusófono que é o Brasil e, naturalmente, projecta chegar a um ponto muito mais pequeno mas necessário do mundo lusófono: Portugal. E isso, se Deus permitir, está quase a acontecer. Apesar de o plano que o Seminário Martin Bucer tem para Portugal não resolver já as muitas e profundas necessidades portuguesas, a ajuda intermédia a que se propõe no imediato é preciosa.

Há o plano de já no próximo mês de Maio acontecer a primeira semana intensiva do Seminário Martin Bucer em Portugal. Por ser uma semana intensiva, há características específicas (que devem ser consultadas no site, aqui). Entre os professores presentes nesta semana, eu serei um deles, ensinando acerca da relação entre fé e cultura. No entanto, gostava de vos falar muito brevemente na pertinência daquilo que o Seminário Martin Bucer já oferece, tendo em conta as necessidades do contexto evangélico português. Vou fazê-lo em cinco tópicos apenas.

- O Seminário Martin Bucer acredita desavergonhadamente no conceito de pastorado. Certamente que nem todos os alunos são ou virão a ser pastores, mas aqui o conceito de vocação divina não é encarado com desconfiança pós-moderna. A palavra "liderança" não serve aqui para tranquilizar os achaques daqueles que se sentem contemporaneamente ofendidos pela "excelente obra" mencionada pelo Apóstolo Paulo.

- O Seminário Martin Bucer acredita desavergonhadamente no estudo das línguas originais [apesar de não fazer parte da primeira semana intensiva]. Hebraico é hebraico e grego é grego e o facto é que foram estas as línguas que Deus, de um modo algo caprichoso, é certo!, decidiu revelar-se. Temos de lidar com o facto, caríssimos. E lidar com o facto é aprender estas línguas. Elas só estão mortas nas bocas de quem não as aprende (e contra mim falo, ao escrever isto).

- O Seminário Martin Bucer acredita desavergonhadamente no passado. Acreditar no passado é uma ofensa para quem só sente as necessidades de hoje. O Seminário Martin Bucer respeita os credos históricos e toda a papelada escrita por santos de outros tempos e de outros lugares. Quem só quiser tratar dos seus problemas, vulgarmente conhecidos como "as questões do aqui e do agora", é melhor manter-se longe. Lá gasta-se muito tempo tentando aprender com a tradição, a democracia dos mortos (como dizia esse santo romano chamado Chesterton). É abençoadamente creepy.

- O Seminário Martin Bucer acredita desavergonhadamente na Reforma Protestante. Este ano toda a gente comemora os 500 anos da Reforma Protestante, até o Papa. Por isso não espanta que até evangélicos assustadiços tenham de gastar um ou outro minuto reconhecendo a existência de Martinho Lutero. Mas no Seminário Martin Bucer a Reforma é todos os dias. Não existe actualmente em Portugal qualquer instituição de ensino teológico que seja assumidamente reformada - é triste mas é verdade. No Martin Bucer não é vergonha ter uma linha doutrinária assumida, antes pelo contrário. Isto não significa que os alunos tenham de chegar previamente arregimentados mas significa que se sabe qual a direcção que o ensino toma.

- O Seminário Martin Bucer acredita desavergonhadamente em Jesus. O Seminário chega ao ponto de achar que "não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (Actos 4:12). Antes que os abutres poisem por tão estreita e intolerante leitura do fenómeno religioso, eu gostaria de estar por perto. Ensinando, aprendendo, seja o que for. Mas admitindo que se há lugar certo para morrer, é aquele em estamos em comunhão com o Criador porque conhecemos a palavra através da qual se revelou.

Tendo escrito tudo isto, que este texto sirva como um relato pessoal de quem gostou do que viu no Brasil e acredita que é preciso que algo parecido aconteça cá. Depois, é preciso ainda muito mais (que é aquilo que queremos fazer com a escola teológica futura da Igreja da Lapa). O resultado final deve ser menos murmuração e mais louvação. Se portugueses vão estar nos novos céus e na nova terra, é bom que comecem a preparar-se para louvarem como deve ser - boa formação teológica é o treino aqui para uma adoração completa lá.



terça-feira, abril 11, 2017

Ouvir

Se é preciso que te nasça um filho para alterares o que crês acerca de Deus, provavelmente o teu verdadeiro deus passou a ser o teu filho.

O sermão de Domingo passado, chamado "Pequenos deuses, grandes sarilhos, pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, abril 06, 2017

Ouvir

O sermão de Domingo passado chama-se "E tu, transpiras Bíblia?" e pode ser ouvido aqui.

Algumas ideias dele:

- Lutero sabia que se não educássemos os nosso filhos, eles ficariam "tártaros e animais selvagens".

- Lutero praticava a arte entretanto perdida de rogar pragas à congregação durante um sermão.

- Se não fosse pastor, Lutero gostaria de ser professor de crianças.

- A Bíblia existe como prova de Deus se mostrar e não como prova de Deus se esconder.

- Quando a palavra está no centro a nação alfabetiza-se.

- O culto evangélico é mais orientado pelos ouvidos do que pelos olhos.

- Se queremos dar aos nossos filhos uma educação centrada na palavra, seremos pais impopulares. Educar crianças a partir dos ouvidos é duro num contexto de ecrãs, ecrãs e ecrãs.

- Não há nada tão enfadonho como querer ser original. Jesus não se preocupou em usar as palavras que a Bíblia já tinha usado.

- O que precisamos de falar mais? Orar mais, louvar mais, confessar mais os meus pecados. Tudo o resto, precisamos de falar menos.

segunda-feira, abril 03, 2017

De cidade para cidade

No cristianismo global de hoje o nome do Pr. Tim Keller tem-se tornado cada vez mais reconhecido. Na sua pregação, Keller tem enfatizado a centralidade do evangelho e a necessidade de ele ser pregado nas cidades - seguindo o modelo missionário do Apóstolo Paulo no livro dos Actos dos Apóstolos.

Infeliz e equivocadamente, muitas vezes o cristianismo só parece possível a quem foge das exigências de uma vida urbana, como se fé não encaixasse na cidade. Nada poderia ser mais errado a partir da Bíblia e nada podia ser mais errado a partir da realidade (o cristianismo cresce nas grandes cidades do mundo).

Há cerca de 20 anos um grupo de holandeses ansiosos por manterem o evangelho nas suas cidades, foi pedir ajuda batendo à porta do escritório do Pr. Keller em Manhattan. Dessa frustração europeia nasceu a rede de igrejas City To City, em que a Igreja Presbiteriana Redeemer, pastoreada por Keller, tenta ajudar a realidade diversa e exigente de outras grandes cidades do mundo. O objectivo não é um franchising, em que se importam Redeemers para todos os cantos do mundo. O objectivo é que cada cidade pregue o evangelho segundo o seu contexto local.

Apesar de Lisboa ser uma cidade pequena quando comparada com as grandes mega-metrópoles, a rede City To City tem chegado a nós com o objectivo duplo de enfatizar o evangelho nos centros urbanos. Estamos no início deste trabalho. Mas acreditamos que Lisboa é uma cidade maravilhosa para Deus salvar pessoas e gostaríamos de, enquanto cristãos evangélicos, ser mais estratégicos para que isso acontecesse.

Próxima Quarta-Feira, 5 de Abril, às 10h teremos uma reunião na sede da Aliança Evangélica para investir em três momentos.

- Faremos uma breve entrevista ao Pr. João Martins, líder da Casa da Cidade, averiguando qual a sua experiência em envolver-se no serviço urbano à Grande Lisboa;

- teremos um tempo para os líderes presentes se conhecerem melhor;

- e ouviremos sobre a relação que a Palavra consagra entre a fé e a cidade.

Estamos apenas a começar mas temos razões para acreditar que o City To City em Lisboa pode ser uma grande bênção. Pastores e líderes de igrejas, juntem-se a nós!



sexta-feira, março 03, 2017

A primeira entrevista

Sobre o "Cuidado com o Alemão", feita pelo António Vieira na Rádio Amália, pode ser ouvida aqui.

quinta-feira, março 02, 2017

Agenda a aquecer




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Tal como Jesus planeou, a Igreja da Lapa está cada vez mais internacional. No Domingo passado o Pr. Billy Arnold pregou um sermão tocante a partir da Carta aos Efésios. Podem ouvi-lo aqui.

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Antes dos 3 sermões sobre a justificação pela fé, já o Mark Bustrum tinha entrado no tema em língua inglesa. Ouçam aqui, que a Lapa está a tornar-se a quite international community.

quarta-feira, março 01, 2017

Entretanto...

terça-feira, fevereiro 21, 2017

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A doutrina da justificação pela fé começa no tribunal mas acaba na família. Deus é juiz, é certo, mas, melhor ainda, Deus é pai!

O sermão de Domingo passado, chamado "Sem justificação pela fé não podemos ser filhos de Deus", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Protestants and God's Silence

In any kind of christianity where the word is less central, it is natural to feel more God’s silence. That’s why Endo’s or Scorsese’s “Silence” resonates so much in a roman catholic culture - it’s pretty obvious because it’s a roman catholic story.

I’m not saying that protestant christianity, being so focused on the centrality of the word, is immune to God’s silence. But the way we protestants perceive God’s silence is inside the word. Let me make it even more simple: for us protestants you know God is silent when you, reading the word, hear nothing. But the word is always inescapable.

Protestant christianity’s emphasis is that everything was made by the word and, because of that, the written word is the more reliable place for us to read and understand reality. We go from the word to the world, and not from the world to the word. Sure catholicism will not deny that everything was made by God’s word but its emphasis is different. In a catholic perspective the word tends to follows reality and in a protestant perspective reality follows the word (in a way, this is Aquinas’ scholasticism vs nominalists and Luther)

In a catholic culture the absurd will become a bigger aspect of life everytime there’s an absence of an explanatory word (or mostly in spite of the existence of an explanatory word). And so we get to books and movies like “Silence”. In a protestant culture the absurd is more easily confronted by the fact that, at least, you have a written word where lots of talking is happening.

So, protestants don’t feel so surprised by God’s silence because God’s speech is full of God’s silence. Go read the Bible and witness live on tape God’s silence happenning in Job’s life and, most crucially, in Jesus’ death. For us it’s business as usal. What’s the big surprise?

[Sorry for my english.]



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1. A justiça do cristianismo, que é baseada na fé, leva a sério o sofrimento.
2. A justiça do cristianismo, que é baseada na fé, leva a sério a necessidade do perdão.
3. A justiça do cristianismo, que é baseada na fé, leva a sério a humildade.

O sermão de Domingo passado, chamado “Como é que o justo vive pela fé quando deixámos de acreditar na justiça?”, pode ser ouvido aqui.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Lá longe

É uma sensação nova a de ter um livro publicado lá no outro lado do mar, num país onde nunca estive - mistura ansiedade com alegria. Ansiedade porque qualquer pessoa que escreve um livro vive com emoção o momento em que ele chega da gráfica e o segura nas mãos. Neste caso, já há pessoas que o fazem lá no Brasil ao passo que eu só o farei, se Deus quiser, daqui a um mês. Que vontade de ver como ficaram as cores, de cheirar as páginas, de verificar falhas... Aguenta.

Alegria porque esta é uma bênção que Deus me dá e que não mereço nem um pouco. Sou um pavão armado em esperto, com mania que tem sempre mais alguma coisa para dizer, e pensar que Deus permite a uma criatura destas que as palavras que escreve possam chegar a pessoas lá tão longe, que as lerão de coração aberto... Nem sei o que diga.

Orem por este saloio pregador português. Agora que posso ser mais lido, orem para que Deus me dê menos as palavras que uso para ser mais lido, e que me dê mais as palavras que devo usar para que Cristo seja louvado. Posto isto, não deixem de comprar o "Ter Fé na Cidade" versão brasileira (em português do Brasil, claro está!). Ana Rute, Henrique, Markl, Sami, Anabela, Igreja da Lapa e Pedro Martins - isto também é vosso!



sexta-feira, fevereiro 10, 2017

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Talvez o cristianismo nos assuste por recearmos que, conhecendo Deus, conheçamos também quem profundamente somos.

O sermão de Domingo passado, chamado “Conhecer Deus sem me dar a conhecer?”, pode ser ouvido aqui.

terça-feira, janeiro 31, 2017

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Quem não prega um evangelho que o pode matar, prega um evangelho morto. O sermão de Domingo passado, chamado "Só prega um evangelho vivo quem pode morrer à custa dele", pode ser ouvido aqui.

sábado, janeiro 28, 2017

O próximo Domingo é especial para a Igreja da Lapa por duas razões

A primeira é que vamos reconhecer formalmente e em acto de culto o pastorado do Mark Bustrum. O Mark já desempenhou funções pastorais nos Estados Unidos da América, antes de ter sido destacado para Portugal como missionário pela Southern Baptist Convention (juntamente com a sua esposa, Hannah, e as três filhas deles). De há uns anos para cá, tornou-se um conselheiro constante dos presbíteros da Igreja da Lapa, no último quadrimestre assistiu-os de perto e agora oficializamos aquilo que já tem sido uma realidade para a igreja. À luz da Palavra de Deus e confirmando na conduta do Mark, afirmaremos publicamente que aceitamos e nos submetemos à sua autoridade pastoral sustentada biblicamente. Passaremos a ser quatro: eu, o Ricardo Oliveira, o Filipe Sousa e o Mark Bustrum.

Infelizmente, poucas igrejas baptistas portuguesas têm mostrado o rigor bíblico de serem guiadas por uma equipa de pastores e não por um pastor só. Não me entendam mal: não estou a condenar a realidade maioritárias das igrejas baptistas portuguesas que só têm um pastor. O que estou a criticar é uma coisa diferente. Não olho para o pastorado colectivo da igreja (realidade bíblica atestável em textos como Actos 14:23, Actos 20:17, Filipenses 1:1 e Tito 1:5) como algo que a igreja deve ter se possível. Olho para o pastorado colectivo da igreja como um desejo de fidelidade à Palavra. Não levem a mal que dê o exemplo da própria Igreja da Lapa, mas ele é útil para a crítica que faço.
Quando ainda estávamos em S. Domingos de Benfica e éramos uma igreja de 12 membros, sem a capacidade de sustentar totalmente a família do seu pastor titular (que era eu), logo nessa altura chamámos um presbítero para com ele fazer equipa pastoral ou presbitério, se preferirem (o Ricardo Oliveira). Reconheço que houve imaturidades na maneira como o fizemos. Mas o principal é que estávamos convencidos pela Bíblia de que de outra maneira não poderia ser (e a pluralidade de pastores não nega que um deles possa destacar-se, como o que preside com “honorários dobrados” referido em 1 Timóteo 5:17). Uma igreja vê-se não pelo que consegue mas pelo que crê. Se crer a sério, vai agir em conformidade mesmo quando ainda não tem a capacidade de resolver todos os problemas.

Uma das experiências que me tocou no início da nossa igreja foi a decisão que tomou de sustentar totalmente a família do pastor titular mesmo quando ainda não o conseguia. Num ano decidiu, no ano seguinte cumpriu. Cumpriu porque se creu. A ordem não é cumprir primeiro e crer a seguir. Acredito que muitas igrejas baptistas portuguesas não seguem certos padrões bíblicos porque fazem-nos depender das suas capacidades actuais. Acontece que a igreja é uma instituição que não depende das suas capacidade actuais, mas das capacidades que são dadas por Deus mediante a fé. Logo, a minha crítica à ausência de presbitérios (equipas de pastores) nas igrejas baptistas portuguesas tem a ver com o medo de crer no que a Palavra diz e agir em conformidade. O que é que pode acontecer nas igrejas baptistas portuguesas se começarmos a acreditar que aquilo que a Bíblia diz é mesmo possível? O problema baptista português talvez não seja não ler a Bíblia - mas agir em conformidade com o que ela diz. E até o medo das confusões suscitadas por “muitos galos no poleiro” só confirma que se está a pensar sem fé. Para mim é mais difícil em vários contextos responder a uma equipa de pastores do que agir independentemente. Mas faço-o porque a Palavra me manda fazê-lo. Isto não é acerca de mim mas acerca do evangelho*.

O segundo motivo porque o próximo Domingo é especial para a Igreja da Lapa é que vai ser a primeira vez que vamos experimentar fazer um serviço de culto em inglês.
Existem experiências de serviços de culto protestantes em inglês na cidade de Lisboa. Mas parecem-nos ainda demasiado poucas para uma cidade que é uma capital europeia. Na Igreja da Lapa temos sentido isso porque raro é o culto onde não temos falantes de inglês, para quem traduzimos o sermão. Tendo em conta que o inglês é cada vez mais o latim deste Império Romano que é a globalização, não ter mais cultos em inglês em Lisboa é assumir que não Deus não pode salvar estrangeiros em Lisboa. Tu acreditas nisto? Tu achas que Deus não quer salvar estrangeiros em Lisboa? Eu e a Igreja da Lapa achamos o contrário e, com muita humildade mas com a coragem possível, vamos começar a pregar a Palavra em inglês. Ainda por cima, Lisboa é uma cidade tão bonita para a pessoa salvar a sua alma.

Há muito tempo Deus teve a ideia de fintar o orgulho dos homens despistando-os com idiomas diferentes. A Torre de Babel lembra que a vaidade será sempre uma obra embargada. Mas há um pouco menos de tempo, Deus teve a ideia de começar a resolver o assunto, através do Espírito Santo derramado nos cristãos. As línguas ainda são diferentes, mas há uma gramática divina a conquistar-nos gradualmente para um mundo novo. Topem a ironia: vamos começar a falar numa língua estrangeira numa igreja portuguesa porque Deus está a dar-nos uma comunicação comum através de uma igreja que é universal. Juntem-se a nós!


* A verdade é que a maioria das igrejas baptistas portuguesas não conheceu este modelo de pastorado colectivo a partir dos missionários estrangeiros que as impulsionaram e, por outro lado, não desenvolveu eclesiologicamente o assunto (ficando por defeito a ideia de que uma igreja baptista tem apenas um pastor). Volto a pedir que não entendam mal a minha crítica: os pastores que me antecederam e que assumiram sozinhos o pastorado esforçaram-se o que provavelmente nunca me esforçarei. Trabalharam com o que lhes foi dado e com o que lhes foi dado fizeram autênticos milagres. Não quero armar-me em esperto com os luxos que hoje me são dados. O meu objectivo é apenas o de colocar a questão nestes termos: não foi o muito dentro do possível que se fez ontem que deve impedir-nos hoje de desejar aquilo que pode ser biblicamente mais claro do que no passado foi. Ou seja: os pastores antigos deram muito; por que não desejam mais os pastores de agora?



terça-feira, janeiro 24, 2017

Quentinho

Ouvir

Quatro recomendações do sermão passado:

1. ouve a palavra de Cristo quando é fácil e quando é difícil;
2. lembra-te que ouvir a palavra de Cristo assusta mas acorda;
3. a partir da palavra de Jesus questiona as coisas que tens como sagradas;
4. deixa que a palavra te leve num trânsito completo que vai do pessimismo antropológico ao optimismo cristológico.

Podem ouvi-lo aqui.