terça-feira, maio 22, 2018

Ouvir

Parece contraditório mas não é; é exigente e torna-nos humildes: os cristãos podem ser perseguidos por pessoas que serão más para eles; mas esses mesmos cristãos são chamados a tornar o mundo das pessoas que serão más para elas mais saboroso e iluminado.

O sermão de Domingo passado, chamado "Sal que exige cirurgia cardíaca", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, maio 21, 2018

Uma experiência

Não sou um pregador que pregue pouco nem escritor que escreva pouco. Por isso, resolvi fazer um exercício de síntese e simplificação com os sermões do meu último livro. Em 2 mns exponho o 1º. Isto não dispensa que o comprem e o leiam!

No evangelho de Marcos a diferença entre o herói e o vilão não é tão simples assim


segunda-feira, maio 14, 2018

Mais do que informação


quarta-feira, maio 09, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "A perfeição da perseguição", pode ser ouvido aqui.



Dez afirmações essenciais:

1. Somos astutos seleccionando as bem-aventuranças que nos agradam, mas ignorando cuidadosamente o lugar de perseguição onde elas nos devem levar.

2. Não interessa isolar as bem-aventuranças do facto de se fazer parte do Reino de Jesus. O ponto de ser de acordo com as bem-aventuranças é o ponto de fazer parte do Reino dele.

3. É bom ser perseguido porque isso indica uma pertença ao Reino de Jesus que é melhor ainda.

4. A pessoa que persegue os cristãos, ainda que inconscientemente, persegue o próprio Cristo. Por isso mesmo, quando Saulo perseguia os cristãos (Actos 9:4), Jesus aparece-lhe e pergunta-lhe: Saulo, Saulo, por que me persegues?

5. Ser perseguido por causa da justiça não pode ser uma causa em si, mas é uma consequência de ser verdadeiramente cristão.

6. A perseguição existe para todos os que declaram a gravidade de rejeitar Jesus. Quem amaciar isto não terá qualquer perseguição. Quem não chateia ninguém, não é perseguido por ninguém. Quem não se sente realmente ofendido, não se dá ao trabalho de perseguir alguém.

7. Muitos de nós fomos aliciados a querer ser sal e luz como uma espécie de reconhecimento público geral. É o contrário. Ser sal e luz é equivalente a ser perseguido. Logo, a perseguição, podendo parecer negativa, é o condimento e a luz para um mundo sem sabor e às escuras.

8. Não devemos esperar um jogo limpo daqueles que odeiam Cristo. Aliás, por razão é que as pessoas que não querem ter um coração limpo haveriam de jogar limpo com os cristãos? Sermos vítimas de mentira e difamação é o resultado mais natural de alinharmos por Jesus.

9. Não nos alegramos na perseguição em si - não somos masoquistas. Nós alegramo-nos naquilo que a perseguição vai dar: um galardão nos céus.

10. Não é raro ouvir cristãos a reprovarem que se fale de Jesus a partir do risco do Inferno ou a partir da recompensa do Céu. Até o nosso querido C.S. Lewis caiu nesse erro. Mas a verdade é que o próprio Jesus não nos ensinou a viver a vida cristã desinteressadamente.

sexta-feira, maio 04, 2018

Na Teologia

A pressa não é um prémio.


quinta-feira, maio 03, 2018

Olha aí

Os Milagres no Coração na tevê!

quarta-feira, maio 02, 2018

Ouvir

Um pacificador comporta-se de acordo com a paz que traz nas palavras. Entre outras coisas, um pacificador não fala contra a dignidade de um adversário. Quanto mais hostis são connosco, mais nos merecem o empenho. Por isso mesmo, e neste mesmo sermão, Jesus vai pedir mais à frente que amemos os nossos inimigos. Amar os amigos é natural; amar os inimigos é sobrenatural - a bem-aventurança da pacificação tem esta mesma lógica.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, abril 30, 2018

Maus somos todos

Mas Deus pode chegar aos piores.


quarta-feira, abril 25, 2018

A aquecer para Sábado

O livro já aí anda em qualquer livraria!


terça-feira, abril 24, 2018

Ouvir

O poder que está em causa quando nos relacionamos com Jesus não é os inimigos daqui que conseguimos vencer, mas a paz que devemos procurar com todos, até com aqueles que nos fazem a vida mais negra. Se quisermos simplificar mais, o verdadeiro poder de Jesus é a sua paz.

O sermão de Domingo passado, chamado "A paz é o poder dos poderes", pode ser ouvido aqui.

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terça-feira, abril 17, 2018

Os Piratas

Conversando acerca de "altar calls". Como é? Faz-se apelos para que as pessoas se convertam ou não? A presença do Franklin Graham foi o pretexto.

terça-feira, abril 10, 2018

Ouvir

No tempo de agora, ser misericordioso não é ser bom tendo a garantia de a maldade ficar já resolvida; ser misericordioso é ser bom mesmo quando a maldade pode continuar. Geralmente queremos a justiça aqui e agora, garantindo que a maldade fica resolvida. Mas a misericórdia é a sobrevivência da bondade quando a maldade ainda está por resolver. Por isso mesmo, R. Govett dizia que a misericórdia é mais bem manifestada quando os maus estão no poder. Por isto tudo, ser misericordioso é o resultado de estar com fome e sede de justiça. Ainda não temos a justiça agora, mas a garantia de ela nos ser dada no futuro transforma-nos o carácter já.

O sermão de Domingo passado, chamado "Misericórdia é não desistir do bem na vitória do mal", pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, abril 09, 2018

A capa do disco

Quando acabava a revisão deste livro de sermões, dei por mim a gravar oito canções que servem de acompanhamento musical para o livro (ou, como os miúdos dizem agora, de playlist). Este disco, com o mesmo título de "Milagres no Coração", é uma edição da FlorCaveira com a Valentim de Carvalho. Nele, o que se diz guia o que se toca, num registo despojado e sem artifícios - nu e cru.

Como a capa dá para mostrar, com a corajosa fotografia do Hugo Moura, este é um disco de chegada à (crise da) meia-idade. Este disco tentou ser o meu primeiro disco de louvor. Disco de louvor é no vocabulário de um cristão evangélico um disco de canções que directamente adoram Deus, canções essas que podem ser usadas num serviço de culto normal de uma igreja. Apesar de ser um cristão evangélico e um músico, nunca em 40 anos me apeteceu fazer um disco tão religioso, nesse sentido tão restrito. A questão é que, na tentativa de fazer um disco de louvor, rapidamente comecei a louvar de uma maneira que para muitos será considerada oblíqua. Comecei a louvar o Deus do Céu a partir das coisas da terra. Na verdade, não há qualquer heresia nisso, antes pelo contrário.

As canções são sobre filmes como o "Karate Kid", "Os Ladrões de Bicicletas" e "O Padrinho", sobre a série "Breaking Bad" e, vá lá, também vão ao Santo Agostinho, ao David Foster Wallace e o Jack, o estripador, um dos meus pavores nocturnos. É o meu estranho mas sincero tipo de worship music.

É bem diferente, a maior parte da música religiosa que gera números impressionantes na internet que, para mim, tem o efeito retro-activo de me cansar. De cada vez que tento ouvir os discos do 'worship' actual fico com a ideia de que sou pouco espiritual. As vozes lá parece que nasceram para cantar para Deus. Para mim não é bem assim. Para mim o louvor é uma luta. A minha necessidade de louvar é proporcional à dificuldade que sinto em fazê-lo. Mas também devo ser sincero e assumir que o custo que o louvor me pede me parece ser mais parecido com o louvor que encontro na Bíblia. Os salmistas das Escrituras parecem-me muito menos emo do que os cantores evangélicos americanos e brasileiros.

Por outro lado, no final de Dezembro de 2017 a minha audição estava quase exclusivamente dedicada a country e a hip-hop. Não pelo som propriamente dito, porque não suposto as lap-steel guitars dos cowboys nem o narcisismo dos rappers. Mas pela fixação na história pessoal, que o country assume descomplexadamente, e pela predominância da palavra, que o hip-hop conserva. Se adicionar a isto a libertação que foi conhecer nos últimos anos a música do Mark Kozelek, diria que este disco que gravei saiu deste encontro inesperado entre o acústico e o discurso directo.

Ao mostrar este disco a pessoa em quem confio pelo seu critério musical, tenho encontrado reacções diferentes. Uns aderem à primeira audição e outros questionam a pertinência destas canções. O facto de estarem a ler estas linhas significa que tenho teimado em acreditar nelas. Sinto necessidade de empregar a minha voz como empreguei a dizer as coisas que aqui disse. Trabalhei para retirar artifícios porque é mesmo isto que queria fazer (e foi a primeira vez que voltei a depender apenas de mim para gravar desde o IV há dez anos). Talvez este "Milagres no Coração" se resuma a uma espécie de semi-diário-musical-terapia de um ano que para mim foi especial. Eventualmente nem chega mesmo para se justificar enquanto disco. Mas o meu coração não consegue guardar para si estas coisas simples que, honestamente, tenho como milagres. Espero que contá-las assim sirva para alguma coisa também na vossa vida.

Sexta-feira está disponível nas lojas e nas plataformas digitais.





sexta-feira, abril 06, 2018

Na frente musical

Videoclip novo feito pelo Hugo Moura e pelo Jónatas Luzia! Vejam, espalhem, e leiam o resto do texto.

Foi há dez anos que Tiago Guillul editou o seu "IV", que a Time Out descreve num texto sobre os discos da última década como um objecto sem o qual é "difícil conceber o que seria a música portuguesa" hoje, e "um fogo que continua a alastrar". A verdade é que o "IV" há muito saiu de circulação, esgotados os seus exemplares, mesmo na era de tudo encontrar na internet. Logo, e aproveitando a data redonda, em Setembro regressará finalmente a versão original do "IV", com uma comemoração aumentada por um disco em que velhos e novos companheiros o regravam (B Fachada, Jorge Cruz, Luís Severo, Benjamim, Filipe da Graça, entre muitos outros).

Durante a última década houve outras coisas que ocuparam o Tiago: uma delas, escrever. Afortunadamente, chega na próxima sexta-feira 13 de Abril o seu quinto livro, "Milagres no Coração", edição da Quetzal. Nele, coleccionam-se 24 sermões ao redor do evangelho de Marcos. Como a palavra tende a ser irrequieta, quando o Tiago acabava a revisão deste livro, deu por si a gravar oito canções que servem de acompanhamento musical para o livro (ou, como os miúdos dizem agora, de playlist). Este disco, com o mesmo título de "Milagres no Coração", é uma edição da FlorCaveira com a Valentim de Carvalho. Nele, o que se diz guia o que se toca, num registo despojado e sem artifícios - nu e cru. Também por isso, vem assinado por Tiago Cavaco.

A festa do Guillul está para breve, mas enquanto não chega, há "Milagres no Coração" para serem ouvidos em semi-silêncio.

quinta-feira, abril 05, 2018

Novidade

Há uma novidade que quero partilhar convosco. Dentro de uma semana (sexta 13 de Abril) sai o meu novo livro "Milagres no Coração". Há várias coisas que, com o lançamento dele, me deixam feliz.

1. O livro colecciona 24 de sermões ao redor do Evangelho de Marcos que preguei há perto de 7 anos. Ao rever esse material, lembrei a bênção de uma época em que éramos menos, e que me inspirou agora, numa época em que somos mais. O que interessa não é a quantidade das pessoas a quem pregamos mas a qualidade que está na palavra pregada.

2. Às vezes é preciso esperar alguns anos para entender os assuntos principais de sermões que pregámos. Foi o caso agora. Cheguei ao título "Milagres no Coração" em 2017 e não conseguiria fazer o mesmo em 2011 ou 2012. A palavra é como o vinho do Porto, recorrendo à ilustração mais imediata que me ocorre.

3. A capa é uma maravilha saída das mãos do Rui Rodrigues e o prefácio é do Ricardo Araújo Pereira.

4. Numa nota mais para os nerds literários, este é o meu primeiro lançamento pela Quetzal. Isso significa que o livro estará mais disponível do que os anteriores, fazendo parte do grupo editorial mais antigo do país - a Bertrand. Também quer dizer que agora sou colega de escritores que admiro como o Bruno Vieira Amaral, o Tolentino Mendonça e o João Leal, entre outros, e que o meu editor é o Francisco José Viegas, um velho companheiro. E ainda tenho o privilégio de trabalhar com a Djaimilia Pereira de Almeida. Desculpem a nota croma, mas é honesta.

5. Como a palavra é irrequieta, quando revia este livro acabei de volta de umas canções que sairão como companhia musical, na forma de um disco editado pela FlorCaveira e a Valentim de Carvalho (com o mesmo título).

Amanhã dou mais novidades. Espero que possam partilhar alguma da felicidade que sinto com estes "Milagres no Coração".

P.S. Ainda não há estimativa de data de edição no Brasil mas, com a ajuda de Deus, vai ter de acontecer depressa!


quarta-feira, abril 04, 2018

Ouvir (e ver!)

A justiça para hoje para nós tende a ser uma via de sentido único, em que o que interessa é como o mal de fora provoca estragos cá dentro, ao passo que a justiça de Jesus tem duas faixas de rodagem, em que este sentido existe, mas o outro também, em que o mal de dentro provoca estragos lá fora.

O sermão pascal de Domingo passado pode ser ouvido (e visto!) aqui.

terça-feira, março 27, 2018

Ouvir

A bem-aventurança da mansidão quer fazer-nos trabalhar nesta área, do difícil trânsito que há em reconhecer os nossos pecados em privado para eles serem reconhecidos em público. O cristão manso lida bem com a confissão privada e lida bem com a correcção pública. Ser manso é começar sempre pelo mal em nós ao ponto de ele poder ser admitido publicamente diante dos outros. Se não praticas nada disto, és um analfabeto na linguagem da felicidade que Jesus te quer ensinar. (...)

O manso não é o que fica dependente de convencer os outros. O manso é o que vive bem com a verdade mesmo quando ela não convence os outros. Uma nova mansidão que desejo para mim é ser feliz confiando na palavra de Jesus e dizendo-a independentemente de ela agradar a todos. Estou a aprender a viver menos pressionado pelo facto de muitos não serem convencidos pelos meus argumentos. O problema é vosso, permitam-me a franqueza. Eu sei bem que estou persuadido pelos argumentos da Bíblia e desses planeio não arredar pé.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, março 15, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, Chamado "Humildes de Espírito" e pregado pelo Filipe Sousa, pode ser ouvido aqui.


quarta-feira, março 07, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Jesus ensina porque ama", pode ser ouvido aqui.

Ouvir

Se mais do que mostrar um código de conduta o Sermão do Monte quer mostrar um novo carácter, somos colocados diante de um desafio de reavaliar o nosso carácter presente a partir do nosso apego a valores como o sucesso, a riqueza e a saúde. O que é que o Espírito Santo quer revelar sobre o teu carácter actual para que ele possa ser transformado com o carácter do Rei Jesus? Se Jesus está contigo é-te dado um novo normal.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "O Reino é o real a sério", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Ouvir

As coisas que Jesus diz no Sermão do Monte são uma aula de equitação com unicórnios? Ou podes mesmo praticar aquilo que ele te pede? O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

ARAME FARPADO NO PARAÍSO
TEXTO IX - REGRESSO A TI

Onde se afirma genericamente a miséria moral das novelas brasileiras mas se reconhece que estão cheias de grandes histórias e personagens.

Em comparação com Fortaleza, Belo Horizonte quase lembra a Europa. O centro da cidade tinha aquele tipo de irradiar-do-centro-para-a-periferia que não detectei facilmente no Nordeste. Fiz uma escala em Brasília e fiquei com pena de não parar lá. Alguns dos meus primeiros amigos brasileiros que pensaram em que visitasse o Brasil são de Brasília. O Josaías, que agora estuda nos Estados Unidos e o Pr. Emílio Garofalo Neto (diz-se Garófalo) são homens que gostava de abraçar (no caso do Josaías, voltar a abraçar). A ver se para o ano dá.

No recente aeroporto de Belo Horizonte, construído para as Olimpíadas (ou seria o Mundial de Futebol?) esperava-me o Celso Mastromouro, que me acompanhou prontamente. Almoçámos bem porque recupero o apetite assim que o avião poisa. Fomos para o hotel e descansei para que ao fim da tarde repetisse as palestras que tinha apresentado em Fortaleza. O lugar delas era a Faculdade Batista de Minas Gerais que, na prática, permite que uma criança entre no jardim de infância e saia na Universidade. No contexto evangélico português não há nada parecido.

Esse é um dos problemas que os cristãos evangélicos enfrentam em Portugal. Não há ensino privado religioso acessível aos bolsos da classe média. Aliás, mesmo que fosse para a classe mais privilegiada não haveria, na medida em que escolas cristãs evangélicas ainda são um rascunho aqui. Há aqui e ali uma tentativa, uma aventura, mas, pelo que sei, nada ainda pegou seriamente. Também é este cenário que contribui para que famílias como a nossa, ainda que não colocassem totalmente de parte a hipótese de colocar os filhos em boas escolas católicas mas não o façam por falta de recursos (as escolas católicas em Portugal são para ricos - uma pequena traição da sua alardeada "opção preferencial pelos pobres"), optem pelo ensino doméstico.

Também devo dizer que, com uma vulgarização de escolas evangélicas, também ocorre um fenómeno que é uma adesão religiosa nominal dentro do próprio protestantismo. No Brasil é possível ser "batista" e ser uma treta de crente. Em Portugal, a rigor, também é, mas é mais improvável. Os batistas no Brasil são assim uma espécie de evangélicos respeitados (provavelmente como os presbiterianos) e deu para sentir que, apesar de amar a minha denominação, no Brasil ela cheira-me aqui e ali a um tipo de superficialidade que em Portugal gostamos de apontar aos católicos. Talvez seja da perda do p. Para ser sério, um baptista precisa de um p. Um p de "põe-te sério".

***

No início da primeira palestra em Belo Horizonte, o Celso teve a má ideia de perguntar quantos dos presentes tinham ouvido falar de mim. Imaginem num grupo de umas poucas centenas (200 pessoas talvez) haver seis mãos que se levantam. O que só assinalou a generosidade dos presentes. Estava a falar para pessoas que não faziam ideia acerca de quem era. De certo modo, senti-me mais livre. Podia dizer o que queria sem correr risco de desapontar ninguém. Para ilustrar um ponto qualquer da palestra, comecei a falar sobre telenovelas brasileiras. Foi com algum choque que conclui que a maior parte daqueles jovens estudantes brasileiros não partilhava da minha paixão pelo assunto.

Lembro-me que nos anos oitenta, quando um missionário brasileiro visitava as nossas igrejas evangélicas, era sempre com algum choque que via os crentes portugueses, felicíssimos da vida acorrer para eles demonstrando um convívio profundo com as telenovelas brasileiras. Nós, portugueses saloios e deslumbrados pelas glórias da tevê, julgávamos que era assim que criávamos uma linguagem comum. Horrorizados, os evangélicos brasileiros censuravam imediatamente (ou, numa versão mais polida, censuravam com a elegância que conseguiam) o mau hábito de um crente se permitir assistir àquele lixo moral. Hoje, trinta anos depois, acho que alinho com os missionários.

As telenovelas brasileiras, com todos os seus méritos de produção, são de facto um lixo moral. Mas reconheço que não consigo separar-me emocionalmente do "Bem-Amado", da "Guerra dos Sexos", da "Vereda Tropical", do "Roque Santeiro" e da Tieta", para os cinco exemplos mais fortes. Eu não seria a mesma pessoa sem estas novelas. Por isso, irmãos brasileiros: aceitem com a maior graça possível que, quando vos pregue o evangelho, acabe dando exemplos da sinistra Viúva Perpétua, ou do povo de Sucupira, ou do Luca que entrou para o Corinthians, ou do retrato que mudava de expressão, ou do brinco do Fábio Júnior que contribuiu para uns anos mais tarde eu furar a minha orelha.

Na tripla autógrafo-retrato-perguntas encontrei em Belo Horizonte o primeiro compatriota, o Tiago. O primeiro português que encontrei no Brasil! Pode parecer piroso, mas é verdade: quando estás longe de casa abraças o teu conterrâneo como se fosse da tua família. Obrigado, Tiago!

***

Naqueles dias o Professor Wagno Bragança cuidou de nós e levou-nos à Igreja S. Francisco de Assis, do Oscar Niemeyer, na Pampulha. Pequena mas bonita. Assim meio comuna, com aquele tipo de namoricos manhosos que o Século XX permitiu entre catolicismo e marxismo, mas ok - também é esta flexibilidade que torna as igrejas católicas tão capazes de reflectir os tempos em que foram edificadas (o protestantismo, sendo mais austero, não se mete tanto em troquinhas com as tendências dos momentos).

Um dos pontos fortes de Belo Horizonte foi conhecer pessoalmente o Jonas Madureira. O Jonas Madureira está a acontecer! O Jonas é um jovem teólogo e pastor batista que, ao publicar o seu primeiro livro há uns meses, chamado "Inteligência Humilhada", em menos de nada tinha-o nos topes dos mais vendidos do país na área da religião. É gente finíssima. Culto, agudo, gentil - não contem com muitos Jonas a aparecer nos próximos tempos porque colheitas assim são raras. O Jonas acabou de chegar de avião e foi de propósito directo à minha palestra, para nos conhecermos pessoalmente. Tratou da parte do Q&A e fiquei desconsolado por não ter mais tempo com ele. Um gigante.


quinta-feira, janeiro 18, 2018

Ver e ouvir

Em rigor, faço discos desde 1994 (na altura, em forma de cassete). Não tenho a conta feita a todos os que já fiz. Uma parte muito considerável da minha vida é fazer discos. Para mim, é uma vontade que Deus me deu para cumprir (não estou a exagerar). Acredito mesmo no poder espiritual de fazer discos. Mas, neste caso, quero sublinhar outra coisa: desde 1999 que o João Eleutério passou a estar numa boa parte dos meus discos. Ou seja, já são quase 20 anos de trabalho conjunto. À medida que fico mais velho, valorizo mais estas coisas que são fidelidades. A fidelidade torna a nossa vida cheia de magia. Leut, isto é apenas uma pequena homenagem à medida da internet. És uma bênção de Deus. Já fizemos tanta coisa em disco... Sujeira, limpeza, ranho, lágrimas e um quanto sangue. Tu está sempre pronto para me receber - incrível! E também sou agradecido pelo Martim, por este vídeo que, sendo simples, tem muito significado para mim. Um abraço aos dois!

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "O que Deus diz faz os teus ouvidos tinir?", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, janeiro 12, 2018

Ouvir

Ter fé é também, ouvindo a palavra, saber que o mundo que Deus está a criar é habitável. Tu acreditas que podes habitar o mundo que a palavra de Deus cria para ti? Então por que não o habitas?

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Novidades!

A Antena 3 deu-me carta branca. E para o primeiro programa lembrem-se do slogan: constituir família é a suprema rebeldia.

quinta-feira, janeiro 04, 2018

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "A espada no coração de Maria", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, dezembro 28, 2017

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Se Deus pode vir até mim, só Ele sabe o que posso ser", pode ser ouvido aqui.


quinta-feira, dezembro 21, 2017

Uma espécie de Sub-Judas a dar uma de Supra-Tomés

Aqui há uns meses meti-me numa polémica por causa da tradução da Bíblia feita pelo Frederico Lourenço. Poucas vezes me senti tão desapontado pela discrepância entre o potencial do debate e a desinspiração do retorno. Entre várias manifestações hostis aos meu projecto, nenhum remate ocorreu no campo (neste caso, no texto grego, nem mesmo pelo eminente Professor) mas os foras-de-jogo foram curiosos: uns quantos auto-denominados cristãos (inclusive auto-denominados cristãos evangélicos) esbracejaram explicando o meu disparate em querer defender a integridade da Bíblia, como se a verdadeira fé disso carecesse.

Ao contrário de alguns afortunados por um tipo especial de dom de fé que não tenho, o meu tipo de dom de fé é daqueles que morre se a Bíblia não for eficaz nos propósitos para o qual apareceu. Sim, a minha fé depende de a Bíblia ser inteiramente verdadeira - é essa característica que também me torna realmente protestante (e realmente cristão!).

Ter uma fé que não depende da Bíblia é ter uma fé que depende da própria pessoa que a tem. Ora, ter uma fé que depende da própria pessoa que a tem é, como se está mesmo a ver, um tipo de mérito pessoal. A pessoa que continua a ter fé mesmo que a Bíblia seja uma colecção semi-inspirada de meias-verdades é uma pessoa que atinge um tipo de qualidade espiritual - é, de certo modo, um iluminado. É, se quisermos, uma pessoa que se salva dentro de si mesma e que não depende da verdade de nada externo a si.

Lamento mas semelhante fenómeno nada tem a ver com o cristianismo. O cristianismo é uma fé inteiramente dependente de factos externos à pessoa que crê. É por isso que os cristãos acreditam que são salvos pela graça de Deus, e não por nenhum processo pessoal de amadurecimento espiritual. Por isto mesmo, Paulo dizia que se os factos externos às pessoas que criam, como, por exemplo, a ressurreição, não fossem verdadeiros, a fé era vã - uma real fantochada, por muito poética que pudesse parecer (o capítulo 15 da primeira carta de Paulo aos Coríntios serve para demolir qualquer esperança de fazer da fé um sentimento pessoal independente de factos externos objectivos).

Os cristãos protestantes lutam pela integridade da Bíblia porque sem ela a fé que têm não passa de uma fezada pessoal, um wishful thinking. Adaptando as palavras da Flannery O'Connor, ou a Bíblia é verdadeira ou para o Inferno com ela (Flannery, como católica romana que era, aplicou esta ideia à transubstanciação). Isto não quer dizer que podemos defender a integridade das Escrituras de qualquer maneira - no cristianismo não deve haver hipótese de desonestidade intelectual nessa luta (afinal, não dá tentar usar falsidade para defender a crença em Deus quando se lida com um Deus que abomina a mentira). Mas quer dizer que em qualquer discussão intelectual sobre a verdade da Bíblia está muito mais em causa do que apenas uma opinião - está em causa uma verdade que tem poder para tirar pessoas do Inferno.

Logo, é complicado o meu convívio com pessoas que se dizem cristãs mas vêm tranquilizar-me dizendo que a fé delas permanece mesmo se a autoridade da Bíblia for lascada. Estas pessoas, dizendo-se cristãs, abraçam uma fé que nada tem a ver com o cristianismo, pelo menos, como ele é explicado na Bíblia (e é óbvio que há aqui uma lógica circular a funcionar - acredito que a Bíblia é verdadeira a partir do conceito de verdade que recebo da Bíblia - é por isso que a sola scriptura faz sentido). Este cristianismo, que sobrevive internamente no espírito da pessoa ainda que a verdade externa não se verifique, é, na prática, uma fé auto-criada que não depende de ser sustentada por mais ninguém que não a própria pessoa que decidiu crer. Ora, eu não sou cristão porque a fé que tenho depende de mim. Eu sou cristão porque a fé que tenho não depende de mim - é também isto que significa ser salvo pela graça.

Sou salvo não por aquilo que faço por mim próprio, como, por exemplo, crendo além dos factos serem verdadeiros. Sou, sim, salvo por aquilo que fora de mim foi feito por mim. Sou salvo por uma verdade independente de mim e não por uma verdade subjectiva que eu crio. Não me auto-salvo, sou salvo. Não sou eu que faço; é feito por mim. Supostos cristãos que se salvam além da verdade da Bíblia, são pessoas que se auto-salvam. E a auto-salvação é a religião do Diabo, não de Deus.

Quando Jesus corrige a falta de fé de Tomé, por ter precisado de apalpar as mãos furadas de Jesus, Jesus não elogiou um tipo de fé que é independente da veracidade dos factos. Estes cristãos que têm uma fé independente dos factos querem dar uma de supra-Tomés quando na verdade são sub-Judas: o discípulo traidor é o símbolo de quem, quando não gosta dos factos acerca do Salvador, inventa os seus próprios. A traição é o que acontece também pelo facto de Judas não suportar a direcção do ministério de Jesus. Judas traiu Jesus porque, na incapacidade de louvá-lo num trajecto descendente em direcção à morte, resolveu tornar a morte o lucro possível. Entre ter um ex-mestre morto e ter um ex-mestre morto com trinta moedas nas mãos, optou pela segunda. A traição é a capacidade de tirar proveito de algo que nos parece uma bancarrota.

Os supostos cristãos que continuam a ser cristãos independentemente de a Bíblia ser verdadeira são traidores como Judas porque, na aparência de a Bíblia não ser consistente, inventam dessa derrota uma vitória pessoal. A vitória pessoal dos traidores é que eles sobrevivem sempre quando morre quem depende de uma verdade superior a si mesmo. Jesus morreu porque não pensou em si. Judas sobreviveu porque pensou em si. A ironia é que essa sobrevivência é curta e, como com Judas, termina em suicídio. Creio que acreditar no cristianismo sem acreditar na veracidade que a Bíblia pede para si mesma é um suicídio - é o destinos dos Judas desta vida.

Quando Jesus corrigiu Tomé, ele não lhe recomendou que o importante era seguir a verdade do seu coração, independentemente dos factos palpáveis. Jesus corrigiu Tomé dizendo que a verdade dos factos deve ser aceite além ainda da nossa capacidade de os verificar - bem-aventurados os que não viram mas creram. Os que continuam a crer independentemente da consistência da Bíblia são sub-Judas porque não vêem nem querem ver, não acreditam nem querem apalpar. A fé que dizem ter é um desprezo por toda a realidade que não se baseie essencialmente no amor-próprio, que é uma das características reais dos verdadeiros narcisistas.


quarta-feira, dezembro 20, 2017

Ouvir

Abraça a largura desta promessa bíblica: sonha e chora, chora e sonha. Sonhos + choros = alegria. Não subtraias nada na conta. Não temas o choro para teres uma versão infantil da vida com Deus. Mas também não temas o sonho para teres uma versão vazia e desesperançada da vida com Deus. E ainda, não temas a alegria para teres uma versão cínica da vida com Deus. Não sejas infantil. Não percas a esperança. Não sejas cínico. Sê como o Salmo 126. Sê como Jesus. Chora e sonha, sonha e chora e no fim, graças ao que ele fez na cruz, agarra a alegria.

O sermão de Domingo passado pode ser ouvido aqui.